MUSEUS IMPERDÍVEIS EM MADRID

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Sim, eu sou professor de História, e sim, quando viajo para uma cidade que possui museus importantes, eu quero conhecê-los.

E Madrid é um daqueles lugares em que você precisa reservar um bom tempo para isso.

A capital espanhola possui uma quantidade enorme de museus, mas existem três que praticamente todo mundo coloca no roteiro: o Museu do Prado, o Museu Reina Sofía e o Museu Thyssen-Bornemisza.
E eles são bem diferentes entre si.
O Prado é aquele museu que você visita para entender a pintura europeia dos séculos passados. O Reina Sofía vai levar você para a arte moderna e contemporânea, enquanto o Thyssen funciona quase como uma viagem pela História da pintura ocidental.

Eu gosto dessa diferença.

Em vez de visitar três museus que possuem praticamente o mesmo tipo de coleção, você consegue conhecer três momentos muito diferentes da História da arte.

Neste texto vou falar um pouco sobre cada um deles, o que você encontra por lá, quais obras mais chamaram minha atenção e, principalmente, qual deles eu considero mais interessante para diferentes tipos de viajantes.

Quanto custam os museus de Madrid?

Ninguém merece descobrir o preço do ingresso depois de chegar ao museu, né?

Por isso, já vamos começar por aqui.

Os valores podem mudar, então vale conferir os sites oficiais antes da viagem.

Atualmente, o ingresso geral do Museu do Prado custa €15. O museu também possui horários de entrada gratuita nas duas últimas horas de funcionamento, embora o acesso gratuito esteja sujeito à capacidade.

No Reina Sofía, o ingresso geral custa €12 e existem horários de entrada gratuita. Estudantes, menores de 18 anos e algumas outras categorias possuem acesso gratuito conforme as condições estabelecidas pelo próprio museu.

No Thyssen-Bornemisza, os valores e horários podem variar de acordo com o tipo de exposição e ingresso, então recomendo consultar o site oficial antes da visita.

Uma coisa importante: não monte seu roteiro considerando apenas o preço.

O Prado, por exemplo, é enorme. Se você tentar conhecer tudo em uma visita, provavelmente vai sair de lá sem lembrar direito do que viu.

Às vezes, pagar o ingresso e passar algumas horas dentro do museu vale muito mais a pena do que tentar entrar gratuitamente, correr pelas salas e sair sem aproveitar.

MUSEU DO PRADO

Se você gosta de História da Europa, provavelmente o Prado será o museu mais interessante de Madrid.

E não estou falando apenas pela quantidade de obras.

O próprio museu explica que sua coleção tem origem nos gostos e nas coleções dos monarcas espanhóis dos séculos XVI e XVII. Por isso, o Prado possui uma característica muito interessante: ele é conhecido quase como um “museu de pintores”, porque possui conjuntos excepcionais de artistas como Velázquez, Goya, El Greco, Rubens, Bosch e Ticiano.

Isso faz bastante diferença.

Você não está simplesmente entrando em um lugar cheio de quadros famosos.

Está entrando em uma coleção que foi formada, em grande parte, a partir das escolhas da própria monarquia espanhola.

E é justamente isso que torna o Prado tão interessante para quem gosta de História.

Mas o que encontramos no Prado?

São muitas obras.

Muitas mesmo.

Entre os destaques estão “As Meninas”, de Diego Velázquez, “O 3 de Maio de 1808”, de Francisco de Goya, “O Jardim das Delícias Terrenas”, de Hieronymus Bosch, obras de El Greco, Rubens, Ticiano e diversos outros artistas.

E aqui vai uma dica:

Não tente ver tudo.

Eu sei que parece estranho viajar até Madrid, pagar para entrar no Prado e simplesmente escolher algumas obras.

Mas é exatamente isso que eu recomendo.

Escolha os artistas que mais interessam a você e monte seu próprio percurso.

AS MENINAS

Se existe uma obra que você precisa procurar dentro do Prado, é “As Meninas”, de Velázquez.

O quadro foi pintado em 1656 e é uma das maiores obras do artista. O interessante é que ele não representa simplesmente uma cena da família real.

Velázquez colocou a própria pintura dentro da pintura.

Você vê a infanta Margarida, suas damas de companhia, outros personagens da corte e o próprio Velázquez.

E existe ainda toda a questão do espelho ao fundo.

Quem está sendo retratado?

Quem está olhando para quem?

Onde está o pintor?

E onde estamos nós, os espectadores?

É o tipo de quadro que parece simples quando você olha rapidamente, mas fica cada vez mais complicado quando começa a prestar atenção.

O próprio Prado destaca a complexidade da composição e a quantidade de significados presentes na obra.

Eu poderia ficar bastante tempo explicando “As Meninas”, mas acho que existe uma experiência muito melhor: fique alguns minutos em frente ao quadro e tente descobrir sozinho o que está acontecendo.

GOYA

Se Velázquez mostra muito da vida da corte espanhola, Goya ajuda a entender um período completamente diferente.

E aqui está uma das coisas que mais gosto no Prado.

Você consegue perceber como a arte muda conforme a própria sociedade muda.

Goya viveu em um período marcado por guerras, transformações políticas e profundas mudanças na Espanha.

“O 3 de Maio de 1808” é um dos melhores exemplos disso.

A pintura representa a execução de espanhóis pelas tropas napoleônicas durante a ocupação francesa.

Não é uma pintura de guerra gloriosa.

Não existem heróis triunfantes.

Existe medo.

Existe violência.

Existe um grupo de homens prestes a morrer.

É uma obra que faz você parar para olhar.

E acho que essa é uma das grandes qualidades do Prado: várias pinturas deixam de ser apenas “obras bonitas” quando você entende o contexto histórico em que foram produzidas.

QUANTO TEMPO RESERVAR PARA O PRADO?

Eu reservaria pelo menos três horas.

Se você gosta muito de arte e História, pode facilmente passar metade do dia lá.

O museu funciona atualmente de segunda a sábado das 10h às 20h e aos domingos e feriados das 10h às 19h. A entrada é permitida até 30 minutos antes do fechamento.

O Prado fica no Paseo del Prado, uma região que concentra várias instituições culturais importantes.

E isso nos leva ao segundo museu.

MUSEU REINA SOFÍA

Se o Prado é o museu dos grandes mestres da pintura dos séculos anteriores, o Reina Sofía é outra conversa.

Aqui entramos na arte moderna e contemporânea.

E existe uma razão muito simples para colocar este museu no roteiro.

GUERNICA

Sim, você provavelmente já viu essa pintura centenas de vezes em livros, aulas de História, documentários e na internet.

Mas ver o quadro pessoalmente é outra coisa.

“Guernica” foi pintada por Pablo Picasso em 1937 e nasceu em meio à Guerra Civil Espanhola.

A obra foi criada para o Pavilhão Espanhol da Exposição Internacional de Paris daquele ano.

Picasso se inspirou no bombardeio da cidade basca de Guernica e transformou aquele acontecimento específico em uma representação muito mais ampla dos horrores da guerra.

O quadro tem 7,76 metros de largura.

Ou seja: é enorme.

Muito maior do que aquilo que normalmente imaginamos quando vemos uma reprodução na tela do computador.

E isso muda completamente a experiência.

O Reina Sofía informa que a obra voltou para a Espanha em 1981 e passou a fazer parte de sua coleção em 1992.

Uma coisa que achei interessante é que o próprio museu relaciona a obra à História de Madrid.

Durante a Guerra Civil, o espaço onde hoje está “Guernica” funcionava como local de atendimento para pessoas que haviam sobrevivido aos ataques aéreos da cidade.

Ou seja, a obra não está apenas em um museu qualquer.

Ela está em um espaço que também possui uma relação direta com a memória daquele período.

NÃO FIQUE APENAS NO GUERNICA

Esse é um erro bastante comum.

A pessoa entra no Reina Sofía, procura o “Guernica”, tira uma foto mental, olha mais duas ou três obras e vai embora.

Não faça isso.

O museu possui uma coleção enorme de arte dos séculos XX e XXI, com artistas como Salvador Dalí, Joan Miró, Maruja Mallo e muitos outros.

O interessante é observar como a arte espanhola foi mudando durante um período marcado por guerras, ditadura, transformações sociais e chegada da democracia.

Nesse sentido, o Reina Sofía é quase uma continuação histórica do Prado.

Só que agora a sociedade mudou e os artistas também.

QUANTO TEMPO RESERVAR PARA O REINA SOFÍA?

Eu reservaria pelo menos duas horas.

Se você gostar de arte moderna, pode facilmente ficar muito mais tempo.

O museu funciona normalmente de segunda, quarta a sábado, das 10h às 21h, e aos domingos possui horário reduzido. As terças-feiras são fechadas. Também existem horários de entrada gratuita.

Uma dica importante: os períodos gratuitos costumam ser mais movimentados. O próprio museu informa que os horários mais cheios costumam ser pela manhã e no início da faixa gratuita da noite.

Se você quiser uma visita mais tranquila, vale considerar o período da tarde.

MUSEU THYSSEN-BORNEMISZA

E chegamos ao terceiro museu.

Talvez este seja o menos conhecido dos três pelos brasileiros.

E justamente por isso eu acho que ele merece atenção.

O Thyssen-Bornemisza possui uma coleção que permite acompanhar diferentes momentos da História da arte ocidental.

Você encontra obras de períodos diferentes e consegue perceber como os estilos foram mudando ao longo dos séculos.

É quase como montar uma linha do tempo da pintura.

O QUE EXISTE NO THYSSEN?

A graça do Thyssen está justamente na variedade.

Você não vai ao museu procurando apenas um único artista.

A coleção permite encontrar diferentes estilos e períodos, passando pela pintura antiga, pelo Renascimento, pelo Barroco, pelo Romantismo, pelo Impressionismo e por movimentos modernos.

Para quem não conhece muito de História da Arte, isso pode ser uma vantagem enorme.

Você entra sem precisar escolher exatamente um período e vai descobrindo as obras conforme percorre as salas.

E para quem já gosta de arte, existe outra vantagem: você começa a fazer comparações.

Como determinado artista representava a paisagem?

Como os retratos mudaram?

Quando as pinturas começaram a abandonar determinadas regras?

Por que os artistas modernos passaram a representar o mundo de maneira tão diferente?

São perguntas que aparecem naturalmente durante a visita.

ONDE FICA O THYSSEN?

O museu está no Paseo del Prado, número 8.

Isso é excelente para montar um roteiro porque os três grandes museus ficam relativamente próximos uns dos outros.

Você consegue organizar um dia cultural em Madrid praticamente sem depender de transporte.

Mas eu não recomendo visitar os três de uma vez.

Eu sei que parece tentador.

Você olha o mapa e pensa: “É tudo perto, então dá para fazer”.

Dá.

Mas não deveria.

Museu cansa.

Depois de algumas horas olhando para pinturas, lendo placas e tentando entender o contexto de cada obra, sua capacidade de prestar atenção começa a diminuir.

E ninguém viaja até Madrid para fazer uma competição de quem consegue visitar mais museus.

Então, qual dos três é o melhor?

Essa pergunta é difícil.

Mas vou tentar responder.

Se você gosta de História: Prado.

Se gosta de arte moderna: Reina Sofía.

Se quer conhecer diferentes períodos da arte: Thyssen.

Agora, se você me perguntar qual deles eu escolheria para visitar apenas um, provavelmente ficaria com o Prado.

Não necessariamente porque seja “melhor”, mas porque a relação entre a coleção e a História da Espanha e da própria monarquia espanhola torna a visita muito especial.

O Reina Sofía ficaria em segundo lugar, principalmente por causa do “Guernica”.

E o Thyssen é aquele museu que eu colocaria no roteiro de quem tem mais tempo em Madrid e gosta de arte.

Dá para visitar os três no mesmo dia?

Minha resposta é: não recomendo.

É tecnicamente possível?

Sim.

É uma boa ideia?

Não.

Você vai passar praticamente o dia inteiro dentro de museus e provavelmente chegará ao terceiro já bastante cansado.

Eu prefiro dividir.

Uma possibilidade seria:

Dia 1: Prado.

Dia 2: Reina Sofía + caminhada pelo centro de Madrid.

Dia 3: Thyssen + Parque do Retiro.

Assim você consegue combinar o museu com outras atrações e não transforma sua viagem em uma maratona cultural.

Uma coisa importante para quem é estudante

Se você é estudante, não deixe de verificar as condições de entrada gratuita ou descontos.

O Prado, por exemplo, oferece entrada gratuita para menores de 18 anos e estudantes entre 18 e 25 anos, desde que cumpram as condições exigidas pelo museu.

O Reina Sofía também possui categorias com entrada gratuita, incluindo estudantes, conforme as condições estabelecidas pela instituição.

Leve sua documentação.

Pode parecer uma dica óbvia, mas não adianta descobrir que existe desconto depois de chegar ao guichê e perceber que você não possui o documento necessário.

Por fim: Madrid possui muitos outros museus.

O Museu Arqueológico Nacional, o Museu Sorolla, o Museu de História de Madrid e vários outros também podem entrar no roteiro dependendo do seu interesse.

Mas se esta for sua primeira viagem à cidade e você gosta de arte e História, eu começaria pelos três grandes.

O Prado vai mostrar a Espanha dos reis, da Igreja, das cortes e dos grandes pintores.

O Reina Sofía vai mostrar uma Espanha muito mais recente, marcada pelas guerras, pelas transformações políticas e pela arte moderna.

E o Thyssen vai ajudar a conectar esses mundos através de uma coleção muito mais ampla da História da arte.

No fim, acho que essa é a melhor maneira de visitar museus.

Não simplesmente para dizer que você esteve lá.

Mas para sair entendendo um pouco mais sobre o lugar que acabou de conhecer.

E Madrid oferece exatamente isso.

Você entra para ver pinturas e acaba saindo com um pouco mais de conhecimento sobre a História da Espanha.

E, para mim, é justamente aí que uma viagem começa a ficar realmente interessante.

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Se quiser conhecer Madrid além dos museus, continue acompanhando nossos textos sobre a cidade.

POR FIM

Esse relato é 100% baseado na minha experiência e nas coisas que eu conheci por lá. Ninguém melhor para lhe dizer como é, do que quem foi, não é?

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